sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Acaso do lado de fora

Era uma casa
com cara de casa
Lá dentro
lar dentro
será?

domingo, 29 de setembro de 2013

Corpos D'Água


Às vezes pernas falam sem parar,
notícias circulatórias,
coração bate que bate
e eu penso:
é melhor parar um pouco.
As mãos rasgam escritos
brigam com a cabeça madalena.
Ah, mas tem horas...
que as horas Graciliam a voz
que é mana do corpo
palavra resmunga, trejeito conhecido.
Quero águas que a sede é tamanha!
Umidade brilhante no olho,
suor minado na pele
Molho que espera na panela
quer descer-se sobre a carne
pra dar gosto.
Palavra é vida que acorda,
sacoleja os ombros,Finca pé
e sai decidida a molhar o dia .


É, meu,
meu poema fica à vontade comigo
enquanto isso desliza.
Manco, limpo minha Íris.
Cenas que a rua me dá
não me suportam sozinha.
A poesia me toca,
me acha pela miopia
Meu caro poema,
rasgo cartas amarelas
Ou arranjo um vitral daquilo (pronto).
Caquinhos finos Daquelas (reticências).
Que todos têm
Meu poema:
Meu jeito de não saber...
Aproxima-me a becos de existências.
E nem sabe muito bem pra onde ri.
Meu poema: minha chave em cadeia
Garganta a companhia do só.
Dedos soletram meus medos,
por ele jorro os defeitos.
Tiro a roupa da mentira
e não engulo os remédios.
Meu poema minha porta,
meu sintoma favorito.
Fico à vontade contigo.



quinta-feira, 26 de setembro de 2013

AQUI


eu tive um anjo que falava errado em bom português
eu tive um anjo que falava certo em mal português
Eu falo que minto ou minto que falo
a verdade que me ilude é a mesma que me crê
e meu nome não tem dom pra soletrar
pra só letrar.
vida ou norte, severina
vida ou morte, severina
isso é modo de estar AQUI?
toquem os sinos, ou alarmes digitais, tanto faz
toquem seus corpos ou seus sonhos, tanto faz
vamos comprar prateleiras
pra pendurar nossas besteiras.
ou vamos comprar mais besteiras.
Faz Tanto... que tanto faz.

sábado, 17 de agosto de 2013

Conceito

De modo que água, para mim,
não vinha do vestido de noiva
e longo véu de Iguaçu.
Nem vinha da beleza cantada
das tardes de Itapuã.
Nem do mar, nem de Mundaú.
Nem das torneiras.
Menos ainda das chuvas torrenciais,
das bacias hidrográficas
do Rio Amazonas.
Vinha da seca encharcada
nas palavras de Graciliano.
Vinha das latas e potes nas cabeças
das mulheres.
Vinha da Lei da Migração e da Saudade
do que poderia ter sido.
E foi.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

terça-feira, 28 de maio de 2013

Letramente

Ouço daqui do meu quarto
o ofício de um galo
madrugando as horas.
Minha forma inventada por meus pais
inaugurou-se num agosto
do ano de sessenta e cinco.
Meu primeiro poema
já sabia olhar pra trás
como fazem as memórias.
Uma saudade danada de tudo
que carecia das palavras
pra morder o tempo.
E de tudo que escrevo
há um traço indefeso
dos retratos.