Ah, ninguém sabe o que é o dom
das palavras quando enxerga o poeta
de tão alegre,doída ela se entrega
Ah, quem conhece o solo pedregoso,
os fiapos emaranhados,
as torpezas que espremem
o coração de quem diz a poesia?
Venha pela boca ou no papel.
Oh, quero chorar pelas palavras
quero bater meu coração letra por letra.
Basta pouso de pássaro,
garça andando fino em águas,
uma encomenda das palavras.
Oh, quero cerebrar o córrego das veias,
esticar o nervo léxico,ciático serviçal
e alegrar esse canto
nos quatro cantos do mundo.
Nas quatro doses da lua.
segunda-feira, 14 de outubro de 2013
domingo, 13 de outubro de 2013
Quando o cotidiano argumenta
- Alô! Fulano?
- Ah...Oi..alô pra você também.
- Escuta, nosso filho está melhor com você?
- Melhor? Eu já disse a ele que se ele não quer
nada comigo e com a vida, ele é quem sabe, o problema é dele.
- Como assim, fulano, o problema é dele? Você está louco?
o problema é só dele? Não, meu caro... o problema é nosso,
melhor, é de todo mundo, no sentido real da palavra "mundo"...
O problema é seu e de sua família, meu e de minha família,
o problema é de todos, inclusive do Brasil e do Mundo... E
se deixarmos como está, sem nos importarmos, ele será mais
um nas estatísticas de índice de desenvolvimento humano lááá...
embaixo. Fala sério!
- Alô! Alô!
- Desligou...
- Ah...Oi..alô pra você também.
- Escuta, nosso filho está melhor com você?
- Melhor? Eu já disse a ele que se ele não quer
nada comigo e com a vida, ele é quem sabe, o problema é dele.
- Como assim, fulano, o problema é dele? Você está louco?
o problema é só dele? Não, meu caro... o problema é nosso,
melhor, é de todo mundo, no sentido real da palavra "mundo"...
O problema é seu e de sua família, meu e de minha família,
o problema é de todos, inclusive do Brasil e do Mundo... E
se deixarmos como está, sem nos importarmos, ele será mais
um nas estatísticas de índice de desenvolvimento humano lááá...
embaixo. Fala sério!
- Alô! Alô!
- Desligou...
sexta-feira, 11 de outubro de 2013
domingo, 29 de setembro de 2013
Corpos D'Água
Às vezes pernas falam sem parar,
notícias circulatórias,
coração bate que bate
e eu penso:
é melhor parar um pouco.
As mãos rasgam escritos
brigam com a cabeça madalena.
Ah, mas tem horas...
que as horas Graciliam a voz
que é mana do corpo
palavra resmunga, trejeito conhecido.
Quero águas que a sede é tamanha!
Umidade brilhante no olho,
suor minado na pele
Molho que espera na panela
quer descer-se sobre a carne
pra dar gosto.
Palavra é vida que acorda,
sacoleja os ombros,Finca pé
e sai decidida a molhar o dia .
É, meu,
meu poema fica à vontade comigo
enquanto isso desliza.
Manco, limpo minha Íris.
Cenas que a rua me dá
não me suportam sozinha.
A poesia me toca,
me acha pela miopia
Meu caro poema,
rasgo cartas amarelas
Ou arranjo um vitral daquilo (pronto).
Caquinhos finos Daquelas (reticências).
Que todos têm
Meu poema:
Meu jeito de não saber...
Aproxima-me a becos de existências.
E nem sabe muito bem pra onde ri.
Meu poema: minha chave em cadeia
Garganta a companhia do só.
Dedos soletram meus medos,
por ele jorro os defeitos.
Tiro a roupa da mentira
e não engulo os remédios.
Meu poema minha porta,
meu sintoma favorito.
Fico à vontade contigo.
quinta-feira, 26 de setembro de 2013
AQUI
eu tive um anjo que falava errado em bom português
eu tive um anjo que falava certo em mal português
Eu falo que minto ou minto que falo
a verdade que me ilude é a mesma que me crê
e meu nome não tem dom pra soletrar
pra só letrar.
vida ou norte, severina
vida ou morte, severina
isso é modo de estar AQUI?
toquem os sinos, ou alarmes digitais, tanto faz
toquem seus corpos ou seus sonhos, tanto faz
vamos comprar prateleiras
pra pendurar nossas besteiras.
ou vamos comprar mais besteiras.
Faz Tanto... que tanto faz.
sábado, 17 de agosto de 2013
Conceito
De modo que água, para mim,
não vinha do vestido de noiva
e longo véu de Iguaçu.
Nem vinha da beleza cantada
das tardes de Itapuã.
Nem do mar, nem de Mundaú.
Nem das torneiras.
Menos ainda das chuvas torrenciais,
das bacias hidrográficas
do Rio Amazonas.
Vinha da seca encharcada
nas palavras de Graciliano.
Vinha das latas e potes nas cabeças
das mulheres.
Vinha da Lei da Migração e da Saudade
do que poderia ter sido.
E foi.
não vinha do vestido de noiva
e longo véu de Iguaçu.
Nem vinha da beleza cantada
das tardes de Itapuã.
Nem do mar, nem de Mundaú.
Nem das torneiras.
Menos ainda das chuvas torrenciais,
das bacias hidrográficas
do Rio Amazonas.
Vinha da seca encharcada
nas palavras de Graciliano.
Vinha das latas e potes nas cabeças
das mulheres.
Vinha da Lei da Migração e da Saudade
do que poderia ter sido.
E foi.
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