O pescador lança a rede, visto de longe boneco ele.
Aqui da borda penso mais fundo, lanço minha rede.
‘Anêmona’. Falo.
E não há como tirar-lhe o nariz.
Assim ainda pertence ao mar
seus dialetos confundíveis, ardem os olhos,
curam cortes na pele e acima de tudo, afogam.
À profundidade transparente arrisco molhar o bico:
As anêmonas, eunucos invertidos,
a parte decapitada que nadou a vida
quando lançada ao mar - Terra de águas vivas.
Terra que ninguém anda. Só nada ou boia.
O MAR agora é RAM,
volátil, esgota-se no litoral, silenciado.
Primeira concha acolhida por meus dedos
e que guardo no bolso pra mostrar o mar calado
no enfeite da parede.
Tomo o cajado e vou varrer meu terreiro.
O vizinho desligou Sebastian Bach,
a porta bateu com o vento forte.
Estou lá dentro e vou andar no amor
mais raso, corriqueiro saindo das torneiras
da vida doméstica e de pouco sal.
domingo, 8 de dezembro de 2013
sábado, 7 de dezembro de 2013
A Criada
Escuta este gole de cerveja
e engole comigo, no fundo,
a tua astúcia, teu modo sorrateiro
de evitar placas de incêndio.
Escuta o gole dos surdos trovões,
tiros e culatra...
tiros, ecos lá atrás...
sente o som do gole
desse amor desmesurado
e que nasceu por aí...
de alguma fala confortável de tua parte.
De algum espírito que ronda o corpo.
De ideia criada.
Mas criada não tão criada quando criada.
e engole comigo, no fundo,
a tua astúcia, teu modo sorrateiro
de evitar placas de incêndio.
Escuta o gole dos surdos trovões,
tiros e culatra...
tiros, ecos lá atrás...
sente o som do gole
desse amor desmesurado
e que nasceu por aí...
de alguma fala confortável de tua parte.
De algum espírito que ronda o corpo.
De ideia criada.
Mas criada não tão criada quando criada.
segunda-feira, 2 de dezembro de 2013
O que se pode dizer
Os homens estão para as máquinas
assim como as árvores estão
para os desmatamentos.
Poemas tossem debaixo dos tapetes
encostam a cabeça nas mãos.
Olho de horizonte inspirado, corajoso.
Espia nas fechaduras a afonia das gravuras.
Fotografias registradas por festivais,
que acontecem ali e lá.
Ouvem de pensamento grandes entrevistas
onde o vento faz a curva de costume.
O vizinho que repara bem se unhas polidas cavam...
se o sangue branco jorra mesmo pelos canos.
O ralo ensaia dimensão e a poesia
atira-se pela porta dos fundos - assim se soube -
nem parou pra almoçar.
Quem ganhou corpo no papel foi o poema tosco,
desdentado e só.
assim como as árvores estão
para os desmatamentos.
Poemas tossem debaixo dos tapetes
encostam a cabeça nas mãos.
Olho de horizonte inspirado, corajoso.
Espia nas fechaduras a afonia das gravuras.
Fotografias registradas por festivais,
que acontecem ali e lá.
Ouvem de pensamento grandes entrevistas
onde o vento faz a curva de costume.
O vizinho que repara bem se unhas polidas cavam...
se o sangue branco jorra mesmo pelos canos.
O ralo ensaia dimensão e a poesia
atira-se pela porta dos fundos - assim se soube -
nem parou pra almoçar.
Quem ganhou corpo no papel foi o poema tosco,
desdentado e só.
sábado, 30 de novembro de 2013
Alarme
Ela descobriu a língua
como se paladasse pólvora.
Ajeitou o pensamento
e alertou-se sobre o medo
que só tinha quatro letras
e coragem tinha mais.
como se paladasse pólvora.
Ajeitou o pensamento
e alertou-se sobre o medo
que só tinha quatro letras
e coragem tinha mais.
Dotes
Meu pai conspirava dotes
em redor de nossa casa:
uma pedra na frente
da porta dos fundos
dizia-se a qualquer um
que dali se via
da melhor posição
o adeus do sol de todo dia
beirando o final da tarde...
Era a pedra favorita
de meu tio Ignácio.
É a memória viva que uso
em minhas nascentes.
A cancela que avisava
o começo de nossas terras
tinha lá sua conversa
contundente.
Ouço o chiado e o batido de agora
na audição do pensamento,
dotes se abrem pra mim.
em redor de nossa casa:
uma pedra na frente
da porta dos fundos
dizia-se a qualquer um
que dali se via
da melhor posição
o adeus do sol de todo dia
beirando o final da tarde...
Era a pedra favorita
de meu tio Ignácio.
É a memória viva que uso
em minhas nascentes.
A cancela que avisava
o começo de nossas terras
tinha lá sua conversa
contundente.
Ouço o chiado e o batido de agora
na audição do pensamento,
dotes se abrem pra mim.
domingo, 24 de novembro de 2013
Um pouco de Biografia
Apesar de ter nascido no Estado da Bahia, Alagoas me conhece bem melhor. Foi em Arapiraca que nasci como poeta. Meu primeiro poema “Quanto Tanto” apareceu pra mim numa manhã de segunda-feira. Enquanto abria os olhos para o dia, as palavras me diziam para levantar e registrar o poema. Nasceu e nem precisou de rabiscos ou de uma olhada de segunda mão, como fazem as pessoas que escrevem. Nasceu pronto pra ser o que é até hoje.
Arapiraca me pariu como poeta e isso me induz a querer ser filha daqui. Aliás, meu primeiro poema é meu registro de nascimento. “Aliás, de novo, minha mãe teve que fazer uma segunda via do meu Registro de Nascimento” quando chegamos por aqui no ano de setenta e dois. No cartório da Dona Lourinete, se não me engano. Talvez por essa situação também eu me sinta arapiraquense.
“Quanto Tanto” estava impresso no uniforme dos estudantes do curso de letras/Inglês da UNEAL (FUNESA, na época) por decisão da turma. Uma ideia que partiu de uma das alunas do curso por ter visto o poema em meu caderno sobre a cadeira da sala de aula. Eu também era aluna nessa turma. A aluna Marildes Nunes o leu na hora da aula de Linguística, o poema caíra no gosto dos presentes, o que me tocou bastante.
Eu era menina e vivia a minha infância de sete anos na Escola Estadual Aurino Maciel e minha professora de Português levou a música do Chico Buarque A Banda e a letra para acompanhá-la. Nem lembro mais o nome da professora desse tempo. Creio que isso se deu no ano de 1975 ou 1976. Mas foi impossível esquecer aquela sensação de visita poética, hora em que a poesia puxou-me pelos sentidos. E puxou-me para sempre.
Na inauguração do Memorial da Mulher nesta cidade o Quanto Tanto estava escrito em uma de suas paredes e durou um bom tempo por lá.
Atualmente atuo como professora de Língua Portuguesa e Literatura e desenvolvo oficinas de poesia em Eventos Literários como: Letras no Palco, o qual acontece todos os anos na Universidade Estadual de Alagoas (Uneal). Continuo produzindo textos poéticos.
Tesinho
A poesia segue doente de amor pelas calçadas.
Cambaleando as pernas, procurando um balcão
para um gole de cachaça.
E era horizonte na rua, com linha e tudo,
com bastante azul, inclusive.
Assim, até chegar num amarelo desconcertante,
beirando à esquizofrenia. À Van Gogh?
A campainha tocou.
O aluguel querendo acertar as contas.
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